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sábado, 24 de outubro de 2009

HOMENAGEM PÓSTUMA - 14

NIVALDO DOS SANTOS HONÓRIO



ABASTECIDOS DE SAUDADES

Já se tornou regra. Talvez por um hábito cultural brasileiro ou talvez por não terem o que falar, quando o óbito vem a acometer determinadas pessoas, à beira dos seus caixões, os comentários são os mesmos na maioria dos conglomerados das vigílias no atravessar das madrugadas. Murmuram reciprocamente - sem uma mínima e prévia pesquisa sobre a vida do (a) indivíduo (a) - que este (a), quando vivo (a), seria muito “bonzinho (a)”, etc, dando origem à famigerada crítica que atribuem aos mortos todas as benevolências do planeta simplesmente em virtude de terem falecido. Esta teoria, portanto, com um pano de fundo sustentado num enrijecido pilar de hipocrisia, faz com que eventuais falhas cometidas pelos “ausentes” caiam por terra e que quem não os tivera conhecido enquanto viviam creiam que às suas frentes se despedem grandes mártires sociais. Entretanto, como mencionei no início, esses breves comentários se tornaram “regra geral” em momentos fúnebres, porém, felizmente, para toda regra há uma exceção. No caso de hoje, por exemplo, estaremos ovacionando um grande caráter que, desde o seu nascimento, só causou alegrias por onde passara. O fato da sua morte, então, não nos instigará a elogiá-lo só porque veio a falecer conforme elenca a tal teoria infrutífera, mas assim o faremos em razão de que, mesmo após a sua partida, ainda que por muitos anos posteriores a essa triste data, recordaremos dos seus ensinamentos por meio dos seus gestos de carinho com o próximo e usufruiremos da sua intrínseca bondade que um dia, por ele mesmo, a nós foi transmitida. Falaremos, sobretudo, de um homem que assim como fazia no seu trabalho abastecendo automóveis em postos de gasolina, com o seu “adeus”, abasteceu o nosso interior com um enorme sentimento de saudade.
Nivaldo dos Santos Honório, mais conhecido como “Cuzido”. Um cidadão de bem que - enquanto estava entre nós, hoje e eternamente – sempre será mencionado por aqueles que o conhecera de maneira doce e nostálgica, uma vez que só produziu benfeitorias na sua sobrevivência, inclusive por ter deixado um legado de pessoas tanto quanto incríveis como a sua esposa “Verinha” e os seus filhos Luciano e Eveline. “Cuzido”, enfim, partira para um destino cuja trilha ainda desconhecemos, contudo, dediquemo-nos a praticar as boas lições que ele nos deixou a fim de que um dia possamos reencontrá-lo.
Aos olhos do Criador, inquestionavelmente, o infinito “posto” denominado por CÉU acabara de efetuar um “contrato vitalício” com um exímio funcionário absolutamente competente, funcionário este que há poucos dias saiu dentre nós para compor o mais cobiçado quadro de servidores: o quadro de servidores de Deus.
De outro modo, por fim, certamente não teríamos palavras para descrever o que o nosso coração agora aperta, todavia, a única certeza que temos é que com grande tristeza despedimos do nosso amigo “Cuzido” na esperança de que os anjos o acolham em face das suas vastas semelhanças.
Querido “Cuzido”. Descanse em paz!
*13/06/1959
+16/10/2009

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